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Elisabete Silva

 

Elisabete Silva
 
 
 
Elisabete Silva - Bombeira de 1ª
 
    O Entre Nós dá-lhe hoje a conhecer um pouco, a mulher mais antiga no activo dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses. A Beta – como é carinhosamente chamada por todos – tem assumido ao longo do tempo, funções nem sempre com a merecida visibilidade mas, imprescindíveis para o funcionamento do Corpo de Bombeiros, sem descurar todas as outras tarefas de que está incumbida. 
 
    Nome: Elisabete Vieira da Silva
    Idade: 51 anos
    Data de admissão no C.B.: 1976 B.V. Cruz de Malta, 1986 B.V. Lisbonenses
    Categoria: Bombeiro de 1ª classe
    Cursos: TAT, Desencarceramento, DAE, Nível II Fogos Urbanos e Industriais, Nível II Fogos Florestais, Chefe de Equipa de Fogos Urbanos e Fogos Florestais.
 
    Como surgiu a oportunidade de ingressar nos B.V. Lisbonenses?
    Em 1986, a colega Alzira Borges Sousa convidou-me a transferir-me para os Lisbonenses. Apesar de ambas continuarmos ligadas aos Bombeiros, sou a única que ainda está no activo.
 
    Descreva-nos o seu percurso.
    No longínquo ano de 1976 ingressei nos Bombeiros Voluntários da Cruz de Malta mas a falta de formação e perspectivas de progressão ajudaram a que anuísse ao convite que me havia sido feito. A realidade dos Bombeiros, à época era bem diferente da actual; Debatíamo-nos com escassez de equipamentos, as viaturas não ofereciam a capacidade operacional que hoje temos e os EPI eram uma miragem. Em 1986 Ingressei nos Lisbonenses, e deparei-me com outros desafios, outra dinâmica. Envolvi-me sempre nas actividades do Corpo de Bombeiros, pude progredir na carreira e obter a formação que ambicionava. 
 
    Desde o seu ingresso, qual foi o seu maior desafio? 
    Sem dúvida que um dos maiores desafios foi o célebre fogo do Chiado. Foi assustador uma jovem bombeira como eu ver um fogo a consumir o coração da cidade. Os meios técnicos e humanos empregues foram muitos e durante dois dias não saí daquele local. Este episódio ficará para sempre na minha memória e na dos que lá estiveram dias inteiros no combate às chamas que tiraram a vida a um bombeiro sapador.
 
    Quais são os seus interesses e que hobbies pratica?
    Sou uma fã incondicional do Tony Carreira. Tenho toda a sua discografia e alguns dos discos são autografados. Orgulho-me de ir a todos os concertos que posso e de estar com ele. Recebo sempre, em cada aniversário, um postal assinado, o que me deixa sempre muito satisfeita com o respeito que esta estrela tem pelo seu público.
 
    Como define os B.V. Lisbonenses?
    Os Lisbonenses são a minha casa. É aqui que passo muito do meu tempo e sei que é aqui que terminarei a minha carreira. Os Lisbonenses são uma casa diferente das demais e os homens e mulheres com quem me cruzei ao longo do meu percurso sentem o mesmo. Há uma atmosfera que aqui se respira que não se sente em mais parte nenhuma. A entrega, o espírito de sacrifício, a amizade e a vontade de fazer mais e melhor fazem de nós pessoas com uma enorme capacidade de trabalho. Diria que os Lisbonenses são únicos.
 
    O que é ser Bombeiro?
    Ser bombeiro é ajudar. É participar activamente na construção de um país melhor; é fazer pelos outros o que desejaríamos que fizessem por nós mas, ser bombeiro não é tudo bom. Há um grande prejuízo de outras componentes da vida e, normalmente, as vidas pessoal e familiar são muito afectadas. Ser bombeiro é muito difícil e o preço a pagar por vezes é muito alto.

Sandra Manuel

Sandra Manuel
 
 
Sandra Manuel - Bombeira de 3ª
 
    Hoje reservo uma surpresa aos colegas Lisbonenses.
 
    A colega hoje entrevistada é, talvez, das pessoas mais queridas neste Corpo de Bombeiros. Mulher dedicada à casa e à causa, todos, sem excepção, nutrem por ela um carinho muito grande. 
Infelizmente, a Sandra sofreu um acidente recentemente mas isso não a impede de estar entre nós, nos nossos pensamentos e nos nossos corações.
 
    À Sandra e à linda família que tem, em meu nome e o de todos os colegas, envio um beijo muito grande, com o desejo de melhoras, e digo-lhe que estamos todos à sua espera.
 
    A entrevista foi feita por telefone, uma vez que está em reabilitação no Hospital.
    Sandra, um beijo de todos nós.
 
    Entrevista “Entre Nós”
 
    A Sandra Cristina da Guia Manuel tem 37 anos, e ingressou nos Bombeiros Voluntários Lisbonenses em 1996. Tem a categoria de Bombeiros de 3ª classe e fez, entre outros cursos e certificações, os cursos de TAT, TAS, DAE e Desencarceramento, Salvamento e Resgate em Montanha na ilha da Madeira.
 
    Como surgiu a oportunidade de ingressar nos B.V. Lisbonenses?
    O meu ingresso nos Lisbonenses deu-se em 1996 quando fazia parte duma associação na minha área de residência. Em conjunto com dois colegas, entre eles o Rato, neto de um antigo motorista da casa, alistámo-nos. Dos três resto eu. Na altura fui entrevistada pelo então comandante Lucas Maria Novo e fui admitida.
 
    Descreva-nos o seu percurso.
    O meu percurso começou com o curso de TAT ministrado pela CVP e fiz logo a escola de recrutas que durou cerca de oito meses. À época, as mulheres, por ausência de uma camarata feminina só faziam serviço ao sábado de tarde.                             Eventualmente quando fazíamos noite, tínhamos que dormir nas macas que usávamos no futebol. Como começávamos a ser muitas mulheres; a Fátima Teles, a Elisabete Vieira da Silva, a Sónia Cavaco, a Maria João Sá e Silva e a Frederica Pires – hoje Bombeiro Sapador do RSB de Lisboa, o então chefe José Coutinho fez alguma pressão para que no já exíguo espaço nascesse uma camarata feminina. Em 1999/2000 transferi-me para os Bombeiros de Cacilhas mas a adaptação não foi fácil e acabei por retornar aos Lisbonenses. A casa onde nasci. Na época, a convite do director de pessoal assalariado, assumi a função de empregada dos Lisbonenses e passei a reunir as duas funções e a fazer o que sempre gostei.
 
    Desde o seu ingresso, qual foi o seu maior desafio? 
    O meu maior desafio foi a escola de recrutas para Bombeiro de 3ª classe. As dificuldades teóricas mas também práticas tinham um grau de exigência muito elevado sendo que a formação era em período pós laboral e fim de semana. O treino foi sempre muito exigente e incluía corrida e marcha na mata de Monsanto.
 
    Quais são os seus interesses e que hobbies pratica?
    Os meus hobbies são o cinema e passear. Adoro ver o mar e, partilhar o meu tempo com a natureza.
 
    Como define os B.V. Lisbonenses?
    Os Lisbonenses são um corpo de bombeiros muito grande. Já teve os seus altos e baixos mas, devemo-nos orgulhar deste nome. Pronunciar a palavra Lisbonenses deve ser um sinal de responsabilidade e brio que todos os Lisbonenses devem ter presente. Sinto que é ali que está uma grande parte dos meus amigos verdadeiros e especialmente depois deste imprevisto, constatei esse facto. Sinto que são como parte integrante da minha família. Quando passo aqueles portões, onde tanto nos falta, sobra-nos em carisma, espírito de camaradagem e amizade. Aquela fachada transmite a quem ali entra responsabilidade e honra.
 
    O que é ser Bombeiro?
    Ser bombeira é o que adoro fazer. É dar tudo de mim aos outros. É fazer o melhor que sei pelo próximo. Sinto-me realizada pessoal e profissionalmente e se há trabalho de que me orgulho, é este. Aliás, não é trabalho mas sim prazer.
 

"Entre Nós"

"Entre Nós"

    Vamos dar início hoje a um ciclo de entrevistas curtas aos elementos do Corpo de Bombeiros Voluntários Lisbonenses.


  Pretendemos aproximar a comunidade dos Bombeiros e dar a conhecer o nosso trabalho. No fundo, permitir que as pessoas possam conhecer quem na cidade de Lisboa abdica do seu tempo para lhes proporcionar segurança e conforto nas situações em que são chamados a intervir. De noite e de dia, todos os dias do ano.

   Esperamos que a leitura lhe desperte o interesse por esta actividade tão necessária à sociedade.
 

André Saraiva

André Saraiva

 

   

André Saraiva - Bombeiro de 2ª 

 

     O André Saraiva tem 29 anos, é bombeiro de 2º Classe e foi admitido no Corpo de Bombeiros Lisbonenses no posto de Cadete em 1999.


     No seu curriculum conta com diversos cursos e respectivas actualizações. Tem o curso de TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte), Desencarceramento, é Chefe de Equipa de Fogos Urbanos e Industriais, tem o nível 1 de Fogos Florestais, é Operador de DAE e Operador de Central.

     Como surgiu a oportunidade de ingressar nos B.V. Lisbonenses?
     Quando era criança, estudei na Casa Pia de Lisboa onde contactei de perto com um outro colega dos Lisbonenses, o Paulo Martins, e, aos 14 anos ingressei neste Corpo de Bombeiros onde permaneço até hoje.

     Descreva-nos o seu percurso.
     Quando cheguei aos Lisbonenses fui muito bem recebido por todos os colegas e rapidamente me integrei no grupo. Desde os mais novos aos mais velhos, estabeleci com todos eles fortes laços de amizade que me permitiram evoluir enquanto pessoa e bombeiro. 
Durante cerca de seis meses vinha para o quartel e aqui ficava. Não estava autorizado a fazer serviços de rua mas, empregava esse tempo na aprendizagem de outras tarefas imprescindíveis para o bom funcionamento do quartel. Sou bombeiro há 12 anos.

     Desde o seu ingresso, qual foi o seu maior desafio? 
     O meu maior desafio é vir todos os dias para aqui. Sinto que todos os dias há algo de diferente, algo novo a aprender, situações mais e menos complicadas mas todas elas com pormenores que as distinguem umas das outras.

     Quais são os seus interesses e que hobbies pratica?
     Os meus hobbys passam pela informática e pela equipa de futsal do corpo de bombeiros da qual faço parte.

 

     Como define os B.V. Lisbonenses?
     Os Lisbonenses são um Corpo de Bombeiros com um património histórico muito grande. É uma casa centenária e por aqui passaram homens de grande carácter, figuras que admiro e, tento com o meu trabalho do dia-a-dia honrá-los. Por isso, creio que a melhor definição será mesmo a dedicação.

     O que é ser Bombeiro?
     Ser bombeiro não é fácil. Ser bombeiro é gostar do que se faz e ter consciência de que não temos uma função igual às demais. É perceber que não tenho o sábado e domingo como garantidos para o descanso e lazer, é saber que o Natal, passagem de ano e aniversários, são dias em que também temos que estar cá. É, no fundo, abdicar de muito de nós para muitos outros.

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